O Imortal Leminski

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“Quem é anarquista mesmo, nem fala que é”. Debochando do sistema, e daqueles que talvez ingenuamente dizem lutar contra ele, as armas revolucionárias de Leminski eram as palavras. “Posso, sem armas, revoltar-me?”, perguntou-se Drummond em um poema, e essa questão ecoa em mim desde que descobri que a rebeldia, a não-aceitação, é o primeiro passo para a verdadeira mudança. E desconfio que era assim que Leminski demonstrava sua revolta – jamais com armas, mas com ideias. Curitibano genial e talvez pouco compreendido, ele preferiu abdicar dos superestimados bens materiais e optou por uma vida singela, rodeado de livros e da famosa vodka, vício responsável pela morte precoce, aos 44 anos. Mas tem gente que não morre. Tem gente cujas palavras incisivas e pontuais, ou por vezes abstratas e fugazes, permanecem não só como lembrança, mas como pós-vida, como resistência imortal.

Leminski é lembrete diário de que é possível, sim, viver de forma autêntica. De inteligência atípica, cultivava interesses diversos, como sua paixão inexplicável pela cultura e língua japonesas. Foi aí que surgiu também a paixão pelos haicais, poemas curtos que ele desenvolvia com simplicidade e maestria. Mas de todas as características fascinantes do nosso poeta brasileiro, talvez a que mais surpreenda seja essa coragem de enfrentar o mundo de forma descompromissada e descomplicada. Entre os valores tão prezados na contemporaneidade – há que se estar limpo! cabelos e barbas aparados! há que se buscar o sucesso! há que se vender ao lucro! -, Leminski teve a audácia de viver de acordo com a sua própria escolha. E por isso segue vivendo, mesmo depois da morte. “Isso de querer / ser exatamente aquilo / que a gente é / ainda vai / nos levar além”.

Amar Você É Coisa de Minutos – Paulo Leminski

Amar você é coisa de minutos
A morte é menos que teu beijo
Tão bom ser teu que sou
Eu a teus pés derramado
Pouco resta do que fui
De ti depende ser bom ou ruim
Serei o que achares conveniente
Serei para ti mais que um cão
Uma sombra que te aquece
Um deus que não esquece
Um servo que não diz não
Morto teu pai serei teu irmão
Direi os versos que quiseres
Esquecerei todas as mulheres
Serei tanto e tudo e todos
Vais ter nojo de eu ser isso
E estarei a teu serviço
Enquanto durar meu corpo
Enquanto me correr nas veias
O rio vermelho que se inflama
Ao ver teu rosto feito tocha
Serei teu rei teu pão tua coisa tua rocha
Sim, eu estarei aqui

Representatividade Importa

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Esses dias, me deparei com uma matéria sobre a vinda ao Brasil de RJ Mitte (que interpretou Flynn no seriado Breaking Bad), para ser comentarista das Paralimpíadas. O ator tem paralisia cerebral. Em um vídeo super fofo divulgado sobre isso, ele fala da importância de todas as pessoas, com deficiência ou não, não terem medo de fazer o que têm vontade, não se esconderem, não deixarem as coisas para ‘semana que vem’. A matéria me fez pensar na campanha da Vogue para as Paralimpíadas, com a Cleo Pires e o Paulo Vilhena. A campanha defendia a representatividade. No entanto, a representatividade ali era nula – o espaço que poderia ter sido dado para atletas paralímpicos, que eram o foco da campanha, foi substituído pelos dois artistas ‘photoshopados’: ela sem um braço, e ele sem uma perna. O que foi feito na campanha seria mais ou menos como usar uma pessoa branca para representar a comunidade negra, ou uma pessoa heterossexual representando a comunidade LGBT, por exemplo. Por mais que as intenções tenham sido boas, a campanha acabou por reiterar a preocupante falta de representatividade de tantas minorias no Brasil. Enquanto a vinda de RJ Mitte para o Brasil fez justamente o oposto disso. Fiquei contente em ver um exemplo de ação inteligente e tão necessária.

Assista ao vídeo aqui!

Viva Liberty

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Union Square. Foto: Bárbara Franzon

Início da noite em Nova York. Era outono, o que significava que as folhas das árvores estavam todas alaranjadas, como nos filmes que eu tinha visto quando criança, e as temperaturas haviam baixado – mas não tanto a ponto de ser impossível ficar nas ruas. Então era assim que passávamos nosso tempo, nas ruas daquela cidade mágica e brilhante, mais precisamente na Union Square, uma praça que me recordo como sendo o lugar mais colorido e mais vibrante daquela cidade. Eu estava com a minha irmã, minha grande irmã, e provavelmente falávamos alguma bobagem (como sempre fazemos quando estamos juntas) quando vimos um cara de moicano no cabelo tingido de loiro-quase-branco, alto e magro, com roupas extravagantes no melhor estilo punk. O tipo ‘esquisito’ não se destacava muito da multidão ali presente – talvez o que mais me encantava em Manhattan era a mistura de todo tipo de gente, uma gente com a aparência livre, sabe? Não existia regra para cabelo/vestimenta/maquiagem, o que importava era ser autêntico. Que saudade disso.

“É o Supla?”, perguntamos uma pra outra. Supla, um brasileiro que tinha tudo pra se tornar um ‘playboy’, como dizem por aí, mas tomou a direção oposta e se rebelou. Gritamos, lá de longe, “SUPLA!!”. O moço olhou pra gente, e sem titubear, caminhou em nossa direção em meio a um monte de jovens que andavam de skate por ali. Cumprimentou a gente com um aperto de mão, falou umas frases em português e outras em inglês, foi extremamente simpático e nos convidou para o show que ele faria naquela semana junto com o irmão  – ao qual não pudemos ir por sermos menores de idade. Trocamos ideias por alguns minutos, ele entregou o flyer do show para nós, se despediu e foi embora, mesclando-se novamente na multidão.

Sete ou oito anos depois, o punk brasileiro vem a Londrina, no Paraná. Eu e meu namorado decidimos assistir ao show dele – afinal, a gente sempre reclama que falta coisa diferente para fazer aqui. Assim que entrei no bar, que eu ainda não conhecia, senti que não estava mais em Londrina – não sei explicar bem por quê. Depois de algumas long neck e uma dose de gim, o show começou. A plateia era pequena mas muito, muito animada. Havia uma energia diferente ali, contagiante, e todos pularam – literalmente – ao som daquelas músicas irreverentes e divertidas. Não sou fã do Supla como artista, na verdade, conheço pouco do que ele já produziu. Mas ali no palco, cantando e performando com o mesmo cabelo tingido de décadas atrás, ele mostrou-se como exemplo de que a vida é curta demais para vivermos presos a regras. Então, VIVA LIBERTY!

Um Bolinho no Meio da Tarde

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Numa tarde durante essa semana, estava cansada e estressada por conta daquela sensação péssima de que o tempo não vai ser suficiente pra dar conta de todas as obrigações. Mas aí, entre uma responsabilidade e outra, resolvi comprar um bolinho red velvet – um dos meus sabores preferidos no mundo! – e parar por alguns instantes para saboreá-lo. Parece bobagem, né? Mas entre um bocado e outro, o bolinho se tornou muito mais do que só um bolinho. Ele se tornou uma mensagem muito simples, que eu, ansiosa que sou, costumo esquecer. O bolinho foi a representação de que, por mais exaustivo ou desgastante que o dia esteja sendo, podemos parar por alguns minutos para aproveitar uma coisinha gostosa. Foi um lembrete de que podemos celebrar nossas pequenas conquistas diárias, em vez de nos sentirmos culpados quando não conseguimos riscar todos os itens da nossa lista do que deveria ser feito. O bolinho é uma quebra na rotina. É um mimo merecido e necessário. É um recado de que, às vezes, devemos parar de nos cobrar tanto e aproveitar, sem culpa nem constrangimento, algo que nos faça pelo menos um pouquinho mais feliz. Um bolinho no meio da tarde é muito mais do que um bolinho.

Saudade e Nostalgia

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Nostalgia é diferente de saudade. Saudade tem residência fixa na gente. É sentimento constante, que às vezes adormece, esfria, mas está sempre ali, sempre presente. Nostalgia não. Misteriosa e fugaz, nos visita só quando lhe convém. Diferentemente da saudade, nos tira da nossa realidade e nos leva, por alguns instantes, para outro tempo e lugar. Não gosta de andar sozinha – vem sempre acompanhada da melancolia ou da angústia.

Nossas saudades contam histórias, constroem quem nós nos tornamos, nos mostram que nunca estamos sozinhos nem vazios: há sempre alguma saudade para acompanhar. Já a nostalgia quer fantasiar nosso passado, torná-lo mais colorido e mais brilhante do que realmente era. Ela nos deixa um pouco afugentados, como se um dos nossos pés estivesse preso em outro lugar, como se o aqui e o agora deixassem algo a desejar.

A saudade está sempre ali, escondidinha e aconchegada na gente, e já nos acostumamos com a sua presença. Enquanto a nostalgia é aquele tipo de visita que aparece sem aviso, sem ser anunciada, e nos deixa meio sem chão. De qualquer forma, busco dar boas-vindas a qualquer uma delas, sempre que me surpreendem. Fecho os olhos, respiro fundo, e de mãos dadas com uma ou com outra, permito que elas me transportem para algum lugar no passado… Depois de alguns instantes preenchidos por lembranças doces, abro os olhos e trago minha atenção de volta ao momento presente. É bom lembrarmos de saborear o hoje – daqui a alguns anos, são desses momentos que sentiremos falta.

5 Frases Sobre Escrever

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Como já falei nesse post aqui, escrever é parte constante da minha vida. De uma forma ou outra, a palavra no papel sempre é capaz de expressar sentimentos aparentemente inexplicáveis ou sem fundamento. E, apesar da função terapêutica de despejar suas entranhas num papel, há também o famoso ‘writer’s block’ que todo mundo já experimentou: naquele momento em que as palavras são necessárias e urgentes, o pensamento trava e nenhuma ideia parece suficiente. Então, como verdadeira ‘colecionadora de frases’ que sou (meus cadernos são cheios delas: poemas, trechos de livros, de músicas, de filmes, frases aleatórias que ouvi de alguém no elevador, crônicas, etc), no post de hoje têm cinco frases que definem bem essa arte maravilhosa da escrita. Espero que se identifiquem😉 e se conhecerem mais alguma, por favor!, comenta aí embaixo pra eu aumentar meu acervo hehehe.

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Detalhes

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Nuvens de algodão às 7 da manhã

Sempre gostei de ficar olhando o céu. É algo que me transmite calma, que me faz perceber o quanto somos pequenos quando comparados à imensidão do universo. Os Detalhes dessa semana são fotografias de pedacinhos do céu – com o charme de árvores e de flores para complementar – para trazer um pouco de inspiração para a semana e o mês que começam hoje.

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Essas florzinhas brancas…❤
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Folhas alaranjadas
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Bico-de-papagaio, a flor do Natal
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Milhares de flores rosas iluminadas pelo sol

Espero que tenham gostado das fotos!

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